Em declaração divulgada nesta semana, João Azevêdo afirmou que considera “muito grave qualquer ataque à soberania de um país”, argumentando que esse tipo de ação “quebra as regras internacionais e coloca o mundo todo em risco”. Segundo o governador, “a força nunca vai substituir a diplomacia”, e a saída para a crise venezuelana deveria passar, segundo ele, pelo respeito à soberania e pela busca da paz.
Ainda de acordo com a fala, o chefe do Executivo paraibano sustentou que “o que deve prevalecer é a soberania dos interesses do povo venezuelano”, defendendo uma solução diplomática para o impasse político no país vizinho.
A declaração gerou forte reação em setores da oposição e entre críticos do regime chavista, que apontam contradição no discurso ao associar a defesa da “soberania do povo” a um governo acusado de justamente suprimir as liberdades civis da população. Relatórios de entidades internacionais, como a ONU e a OEA, já documentaram práticas como prisões arbitrárias, censura à imprensa, perseguição a opositores e execuções extrajudiciais durante o governo Maduro.
Para esses críticos, ao relativizar as ações contra o regime venezuelano, líderes políticos acabam ignorando o sofrimento de milhões de venezuelanos forçados a deixar o país em razão da fome, da violência e do colapso econômico provocado por anos de autoritarismo e má gestão.
A fala de João Azevêdo também foi interpretada como um alinhamento ao discurso tradicional de setores da esquerda latino-americana, que costumam classificar sanções e ações internacionais como “ataques à soberania”, mesmo diante de regimes acusados de crimes contra a humanidade.
Enquanto parte da comunidade internacional defende medidas mais duras contra ditaduras na América Latina, cresce o debate no Brasil sobre o papel de autoridades públicas ao se posicionarem em relação a governos estrangeiros acusados de violar princípios democráticos básicos.
O episódio reacende a discussão sobre os limites entre a defesa da diplomacia e a conivência política com regimes autoritários, especialmente em um momento em que a Venezuela enfrenta um dos períodos mais críticos de sua história recente.
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