No centro do protesto estavam duas demandas principais:
O movimento ganhou força rapidamente e, já na terça-feira (9), chamou a atenção da imprensa e da administração superior da universidade.
Na manhã do dia 9, representantes da PRAPE e da Reitoria foram ao local e prometeram que a reitora, professora Terezinha Domiciano, dialogaria pessoalmente com os residentes. Entretanto, no início da tarde, a orientação mudou: a universidade passou a exigir que apenas três estudantes fossem até a Reitoria para uma reunião fechada — proposta recusada pelo grupo mobilizado.
Em paralelo, um pequeno grupo ligado à coordenação da Residência Universitária, conhecida como “Metamorfose”, participou de uma reunião com a Reitoria sem comunicar à assembleia estudantil, o que gerou críticas por suposta “deslealdade” e tentativa de enfraquecer a mobilização.
Ainda na terça-feira, representantes da administração superior voltaram à barricada — dessa vez sem aviso prévio — e anunciaram que concederiam um piso mínimo de R$ 540,00 para o benefício de recesso. O valor foi considerado uma vitória parcial do movimento, que forçou a universidade a rever sua proposta inicial de R$ 360,00.
A PRAPE também assumiu o compromisso de:
Apesar disso, tensões aumentaram após a pró-reitora Georgia Dantas Macedo mencionar possíveis investigações contra manifestantes, o que foi interpretado pelos estudantes como tentativa de intimidação.
Na quarta-feira (10), Georgia retornou à barricada e teria afirmado que o benefício só seria pago após a desobstrução da via — informação contestada pelos estudantes, que classificaram a fala como uma forma de pressão.
Logo depois, começou a circular entre os residentes um boato de que a permanência da barricada prejudicaria o pagamento do benefício. Segundo o movimento, a informação teria sido disseminada por estudantes alinhados à Reitoria, gerando confusão e desgaste na mobilização.
Um episódio gerou ainda mais polêmica: durante uma assembleia, a pró-reitora Georgia entrou no espaço sem autorização dos estudantes e discutiu com os presentes. O clima tenso levou à sua retirada do local — mas não antes de recolher a caixa de som utilizada pelos manifestantes.
Na quinta-feira (11), a Reitoria finalmente publicou a lista dos estudantes contemplados com o benefício de recesso. O conteúdo gerou grande indignação:
O estreito prazo para preencher o formulário — inferior a cinco dias — foi apontado pelos estudantes como um dos principais motivos para que muitos ficassem de fora.
A divulgação da lista trouxe dois efeitos imediatos: ampliou a revolta entre muitos estudantes, mas também diminuiu a adesão de parte dos que já haviam sido contemplados, mesmo que com valores baixos.
Ainda assim, o movimento decidiu se reorganizar e anunciou novas estratégias:
Com mais de 72 horas de protestos, os estudantes admitem desgaste físico e emocional. Intrigas, ataques pessoais e pressões externas têm dificultado a permanência de alguns participantes na mobilização.
Mesmo assim, lideranças estudantis reforçam que ainda há cerca de 200 residentes totalmente desassistidos, o que inviabilizaria o encerramento das manifestações.
A crise expõe falhas de comunicação, fragilidades da política de assistência estudantil e a deterioração da relação entre a UFPB e seus residentes universitários. O movimento, que começou com reivindicações pontuais, evoluiu para uma disputa mais ampla sobre transparência, participação estudantil e permanência universitária.
A Assembleia Geral do dia 15 será decisiva para definir os rumos da mobilização e o posicionamento dos estudantes diante das próximas ações da Reitoria e da PRAPE.
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