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Gás do Povo: quando o Estado troca auxílio por cabresto


O governo resolveu inovar — e como quase sempre acontece quando a esquerda “inova”, quem perde é o povo. O fim do Auxílio Gás, com repasse direto às famílias, e sua substituição pelo chamado “Gás do Povo” não representa avanço social algum. Representa controle, dependência e risco real de corrupção.

Antes, o dinheiro caía direto na conta do beneficiário. R$ 120 que davam autonomia mínima às famílias mais pobres. Cada uma decidia como usar: comprar o gás, recorrer a outro meio de cocção ou simplesmente reforçar a alimentação da casa. Isso é política social de verdade: dar meios e respeitar escolhas.

Com o novo modelo, o Estado tira o dinheiro da mão do cidadão e entrega a fornecedores previamente cadastrados pelo próprio governo. A família perde o direito de escolher onde comprar, com quem negociar e como administrar o benefício. Ou aceita o fornecedor imposto, ou fica sem nada. Isso não é proteção social. É tutela estatal.

O discurso oficial fala em “combate a fraudes”. Mas essa justificativa não se sustenta. Se o problema fosse fraude, bastaria aprimorar os mecanismos de controle. O que foi criado, na prática, é um sistema de intermediários dependentes do governo, exatamente o tipo de estrutura onde historicamente surgem esquemas de favorecimento, aparelhamento e desvios.

Não é ingenuidade, é experiência:
– Fornecedores politicamente alinhados tendem a dominar o cadastro.
– Monopólios locais surgem rapidamente.
– Em comunidades vulneráveis, esses intermediários passam a exercer influência que vai muito além da venda de gás.
– Empresas “amigas do poder” entram no jogo, muitas vezes ligadas a grupos políticos regionais.
– A fiscalização, como sempre, fica no papel.

Não se trata de acusar todos os envolvidos. Mas é legítimo desconfiar de um modelo centralizador, criado por um governo com longo histórico de escândalos, que retira liberdade do cidadão e concentra poder em agentes escolhidos politicamente.

O ponto central é simples e deveria preocupar qualquer democrata: o Estado decidiu que o pobre não sabe escolher. Decidiu amarrar o benefício a um fornecedor, a uma regra rígida, a um sistema fechado. Isso cria dependência e transforma política social em instrumento de controle.

No final das contas, o Bolsa Família — mais uma vez — é usado como plataforma eleitoral. Agora, de forma ainda mais explícita: o benefício vem condicionado, o voto vem pressionado e a liberdade vai embora no mesmo botijão.

Enquanto isso, grande parte da população não percebe o óbvio. E assim, passo a passo, programas sociais deixam de ser auxílio e passam a ser correntes invisíveis.

Velhos métodos. Novo nome.
O povo perde. O sistema agradece.

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