O problema é que esse cálculo não leva em conta a impopularidade de algumas jogadas recentes de Hugo. PEC da “blindagem”, anistia ampla e empurrar para frente a votação do Imposto de Renda pegaram mal não só em Brasília, mas também na Paraíba. Tentando consertar a imagem, Hugo agora se coloca como “fiel da balança” para o governo. A pergunta é: isso convence o eleitorado paraibano ou apenas reforça o estigma do toma-lá-dá-cá?
Enquanto isso, o governador João Azevêdo vê sua base se desmanchar. O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, rompeu com o grupo e já conversa com Veneziano Vital do Rêgo, aliado histórico do PT. Esse movimento pode levar Lula a ter dois palanques na Paraíba: um com João, Lucas Ribeiro e Nabor; outro com Veneziano e Cícero. Ou seja, o “padrinho político” que sempre teve terreno livre no estado agora terá que escolher lado – e talvez comprar briga.
A disputa pelo Senado já está congestionada: João Azevêdo, Veneziano, Marcelo Queiroga e Nabor Wanderley disputam espaço, cada um vendendo a ideia de que tem mais ligação com Lula ou Bolsonaro. O curioso é ver como a política paraibana insiste em girar em torno de padrinhos nacionais, como se o povo daqui não tivesse maturidade de decidir por si.
No fim das contas, o cenário é o mesmo de sempre: acordos de bastidores, troca de favores e a eterna dependência de Lula ou Bolsonaro para legitimar candidaturas locais. A Paraíba, que já deu demonstrações de força própria, parece de novo refém de velhos caciques que tratam a política como herança de família.
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