O Partido Liberal da Paraíba (PL-PB), principal sigla da Direita no estado, enfrenta uma crise interna que ameaça sua imagem às vésperas das eleições de 2026. Documentos e relatos de bastidores apontam que a gestão do ex-presidente estadual Wellington Roberto pode ter deixado um rombo de aproximadamente R$ 500 mil nos cofres partidários, resultado da campanha de 2022.
A denúncia ganhou força, após conversas entre lideranças do PL Jovem. Antonio Cristovam Queiroga (Queiroguinha), atual presidente do PL Jovem Paraíba, teria admitido o problema em conversa com o estudante Lucas Lima no primeiro semestre de 2025. Pouco depois, Pedro Henrique Wanderley, presidente do PL Jovem João Pessoa, confirmou ter ouvido algo nesse sentido.
Analisando as prestações de contas do PL-PB:
| Ano | Receitas (R$) | Despesas (R$) | Juros e Multas (R$) | Saldo Líquido (R$) |
|---|---|---|---|---|
| 2022 | 925.450,35 | 1.083.623,77 | 678.133,09 | -158.173,42 |
| 2023 | 991.747,67 | 906.349,35 | 542.506,51 | 85.398,32 |
| 2024 | 862.838,39 | 969.055,20 | 263.411,75 | -106.216,81 |
| 2025 | 345.606,22 | 36.429,39 | 364,32 | 309.176,83 |
Os dados mostram que, especialmente em 2022, os juros e multas representaram mais de 60% das despesas, contribuindo para um déficit expressivo. Embora os anos seguintes tenham apresentado superávit em alguns períodos, o histórico evidencia fragilidade no controle financeiro do partido.
Até o momento, a nova cúpula do PL-PB, presidida pelo ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga, não se pronunciou oficialmente sobre a existência ou não do rombo. O tema, porém, já provoca desconforto e disputa interna entre diferentes alas da legenda.
O episódio remete a outro caso polêmico dentro do partido: as contas de campanha do ex-candidato a governador Nilvan Ferreira em 2022 foram rejeitadas pelo TRE-PB, com determinação de devolução de mais de R$ 1 milhão por irregularidades, especialmente em despesas com combustíveis sem comprovação. Não há, contudo, documentação que vincule diretamente este caso ao rombo alegado na gestão partidária.
Sem posicionamento oficial, a denúncia segue restrita aos bastidores, mas já acende alertas sobre transparência e governança interna. Para a direção estadual, o desafio agora é equilibrar a reestruturação financeira e política do partido sob a liderança de Marcelo Queiroga, mantendo a unidade da Direita na Paraíba às vésperas de um pleito decisivo.
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