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VERGONHA NA UFPB: PRAPE ADMITE ATRASO NOS AUXÍLIOS E ESTUDANTES DENUNCIAM FOME, CONTAS ATRASADAS E DESCASO


 A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) voltou a protagonizar mais um episódio de profundo desrespeito aos estudantes em situação de vulnerabilidade. A Pró-Reitoria de Assistência e Promoção ao Estudante (PRAPE) confirmou oficialmente que os auxílios estudantis referentes a janeiro de 2026 ainda não foram pagos, alegando falta de repasse financeiro do Governo Federal.

Em nota, a PRAPE afirmou que janeiro possui um “fluxo diferenciado” por conta da abertura do exercício financeiro e que, desde novembro de 2025, trabalha em conjunto com a Pró-Reitoria de Administração (PRA) e a Superintendência de Tecnologia da Informação (STI) para agilizar os pagamentos. Segundo o comunicado, as folhas teriam sido emitidas já no segundo dia útil de janeiro e os trâmites internos estariam concluídos, restando apenas o repasse federal.


Apesar da tentativa de justificativa burocrática, a publicação gerou uma avalanche de revolta nas redes sociais. Estudantes denunciaram fome, aluguel vencendo, contas acumuladas e total abandono institucional — cenário agravado pelo fechamento do Restaurante Universitário (RU) em janeiro e pelo atraso também na pecúnia alimentar.

“Então quer dizer que em janeiro a gente não come? Não paga aluguel?”, questionou um estudante. Outro foi direto: “A gente tá sem ter o que comer. Isso não é exagero, é fome e subnutrição”.

Há ainda comentários que colocam em xeque a própria versão da PRAPE. Um deles chama atenção para o fato de que os valores dos auxílios já estariam empenhados e autorizados nos processos administrativos, o que contradiz a alegação de ausência de orçamento. “Causa estranheza a informação de que a PRAPE aguarda orçamento, uma vez que os valores já se encontram empenhados”, afirmou um comentário com dezenas de curtidas.

A indignação cresce quando se compara a situação dos estudantes com a estabilidade financeira da alta gestão. “Demora um ano pra pagar auxílio, mas o salário da reitora já está na conta há séculos”, escreveu outro aluno. Também houve críticas diretas à reitora Terezinha Domiciano, acusada de ter prometido priorizar a assistência estudantil durante a campanha, mas entregar uma gestão marcada por atrasos e cortes.

Além da administração, a representação estudantil também virou alvo. Diversos comentários acusam o Diretório Central dos Estudantes (DCE) de omissão e alinhamento com a reitoria. “DCE comprado faz nada”, escreveu um usuário. Outro comparou com gestões anteriores: “Antes o DCE estava na porta da reitoria lutando. Hoje está tudo largado”.

O clima é de total colapso da política de permanência estudantil. Para muitos alunos, o discurso institucional não passa de cinismo administrativo. “Vocês postam como se estivessem fazendo um favor”, comentou um estudante. Outro resumiu a situação: “Como faz ciência sem comer? Sem pagar aluguel? Isso é impossível”.

Enquanto a PRAPE afirma que o prazo regular para pagamento é até o 10º dia útil, estudantes alertam que já estão no limite — psicológico, financeiro e físico. Contas vencem, aluguel não espera, e a fome não segue calendário administrativo.

O episódio escancara o fracasso da atual gestão da UFPB na condução da assistência estudantil. Mais do que atraso técnico, o que se vê é uma crise humanitária dentro da universidade, que insiste em normalizar a miséria dos estudantes enquanto mantém intactos os privilégios da burocracia universitária.

A pergunta que fica é simples e direta: quem responde pela fome dos estudantes da UFPB?


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