No entanto, o resultado observado nos comentários foi diametralmente oposto ao que se esperava.
Longe de consolidar a narrativa construída pela página, a publicação foi tomada por manifestações espontâneas em favor de Major Viviane e, sobretudo, de Walber Virgolino. Os dois nomes dominaram a interação do público, evidenciando um claro desalinhamento entre o discurso de parte da mídia local e o sentimento de uma parcela significativa da população cabedelense.
A leitura política dos comentários é direta: há um cansaço generalizado com a violência no município e uma rejeição crescente às soluções tradicionais e aos grupos que orbitam o poder local. A população demonstra, ainda que de forma informal, o desejo por uma alternativa concreta, associada à ideia de ordem, enfrentamento e autoridade.
Nesse cenário, Walber Virgolino desponta à frente de todos os demais, dominando as menções e consolidando-se como o nome mais lembrado. Se o termômetro forem as redes sociais, Walber demonstra força orgânica e capilaridade popular suficientes para, simbolicamente, já se apresentar como “prefeito” no imaginário digital de muitos cabedelenses.
Logo atrás, surge Major Viviane, cuja presença forte nos comentários reforça outro dado relevante: a pauta da segurança pública está superando todas as demais narrativas políticas atualmente em circulação. A farda, a disciplina e o histórico ligado às forças de segurança aparecem como símbolos de esperança diante do avanço da criminalidade e da sensação de insegurança vivida pela população.
Embora a própria página ressalte que a enquete “não tem cunho estatístico”, o impacto político é inegável. A reação popular escancarou uma realidade incômoda para quem tenta conduzir o debate público de forma direcionada.
Independentemente da resposta, o episódio deixa uma lição clara: as redes sociais, mesmo sem metodologia científica, continuam sendo um termômetro relevante do humor político da população — e, em Cabedelo, esse humor aponta para mudança, ruptura e busca por novos rumos.
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